Herdeiro de uma das famílias mais abastadas de Minas Gerais, o candidato do Novo volta a rotular a população vulnerável que recebe ajuda de programas sociais do governo de “geração de imprestáveis“
Em mais uma demonstração de desconexão com a realidade da maioria dos brasileiros, o candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) disparou ataques diretos à parcela mais vulnerável da população durante sua participação na 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo.
Ao se referir às famílias que dependem de auxílios de transferência de renda para garantir o mínimo à sobrevivência, o ex-governador recorreu a um termo pejorativo e estigmatizante: declarou que o país está formando uma “geração de imprestáveis”.
A fala de Zema não apenas explicita um profundo preconceito de classe, mas também desconsidera o papel crucial que redes de proteção social desempenham em um país marcado pela desigualdade estrutural. Ao afirmar que os beneficiários “se recusam a trabalhar e optam por ficar fazendo bico”, o candidato ignora que a informalidade costuma ser uma estratégia desesperada de sobrevivência, e não uma escolha de acomodação.
Longe de ser um escorregão verbal isolado, o ataque aos mais pobres tornou-se uma espécie de mantra na pré-campanha do herdeiro do Grupo Zema, conglomerado empresarial que faz de sua família uma das mais ricas de Minas Gerais. O rótulo “geração de imprestáveis” vem sendo repetido sistematicamente pelo candidato em fóruns empresariais e na mídia tradicional:
- 3 de maio: entrevista ao programa Canal Livre, da Rede Band.
- 22 de junho: evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.
- 8 de julho: encontro na Agenda dos Presidenciáveis, organizado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC).
- 17 de agosto: discurso na 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo.
A repetição deliberada do termo sinaliza uma tática de apelo à fobia social de elites financeiras, transformando a fome e a vulnerabilidade em falha moral individual, em vez de tratá-las como problemas socioeconômicos complexos.
Fonte: Estadão







