A prática do império do terror praticado pelos colonos israelenses na Cisjordânia contra famílias palestinas com cumplicidade das autoridades estatais de Israel ferindo o Direito internacional de áreas ocupadas.
Apesar do discurso diplomático de vários, paises inclusive dos EUA, tentar repetidamente suavizar uma realidade aterrorizante. Ao classificar os frequentes cercos e ataques contra famílias palestinas na Cisjordânia ocupada como atos terroristas praticados pela minoria de colonos israelensse, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, em declarações prestadas à televisão israelense, tenta isolar o sintoma, enquanto ignora a doença.
A narrativa de que a violência no território ocupado é fruto de indivíduos isolados cai por terra diante de um projeto sistemático, contínuo e abençoado pela cumplicidade do próprio Estado de Israel. Não se trata de um “erro de interpretação” por parte de colonos extremistas. O que ocorre na Cisjordânia é uma política territorial agressiva e orquestrada.
Grupos de direitos humanos vêm alertando para a estratégia em curso em localidades como Qusra e Jalud. O que à primeira vista pode parecer um conflito pontual por propriedades é, na verdade, um plano deliberado de expansão: tomar terras estratégicas entre vilarejos para conectar postos avançados a grandes assentamentos já consolidados.
No entanto, a cobrança soa vazia diante do histórico de impunidade. Na prática, a atuação das forças de segurança israelenses na região frequentemente oscila entre a omissão deliberada e a proteção ostensiva aos colonos durante suas investidas contra a população local.
A dimensão da ocupação expõe a escala do problema. Atualmente, a Cisjordânia abriga cerca de 3 milhões de palestinos que dividem o território sufocado por 500 mil colonos israelenses que insistem em ocupar a região mesmo quando o Direito internacional as proibe. Essa população israelense está distribuída em aproximadamente: 146 assentamentos formais e 390 postos avançados (outposts) menores, segundo dados da organização israelense Peace Now.
Mais do que uma questão demográfica, trata-se de um atropelo legal. A Quarta Convenção de Genebra é categórica ao proibir que uma potência ocupante transfira sua própria população civil para o território ocupado. Ao incentivar, financiar e proteger a infraestrutura desses assentamentos, o governo de Israel não apenas descumpre tratados internacionais dos quais é signatário, mas institucionaliza a usurpação de terras.
Tolerância estatal como ferramenta de domínio – rotular a violência dos colonos como “atividade de uma minoria” serve apenas para eximir o governo de Israel de sua responsabilidade direta. A existência de centenas de postos avançados ilegalmente erguidos, inclusive sob a própria legislação israelense, que posteriormente recebem água, eletricidade e infraestrutura militar do Estado, prova que o colonialismo sobre a Cisjordânia não é um desvio da norma, mas a própria política de Estado.
Enquanto a comunidade internacional se limita a notas de repúdio e apelos diplomáticos por punições que nunca chegam, as famílias palestinas continuam cercadas em suas próprias casas, privadas de seus direitos básicos e submetidas a um regime permanente de terror e espoliação.
Fonte; Folha de S. Paulo – AFP e Embaicada Palestina no Brasil







