Em um arroubo de pura generosidade republicana, o ex-presidente resolveu transformar a política americana em um gigantesco reality show com prêmio em dinheiro, desde que o eleitor aperte o botão certo.
O carisma política moderno atingiu um novo patamar de sofisticação: para que se dar ao trabalho de debater propostas complexas, saúde pública ou inflação quando se pode simplesmente acenar com um maço de notas verdes na cara do eleitorado?
Em discurso proferido na noite de quarta-feira (9), em Dallas, no Texas, Donald Trump decidiu que a melhor maneira de garantir a maioria republicana na Câmara e no Senado nas eleições de meio de mandato é apelar para a boa e velha compra de votos — só que devidamente gourmetizada sob o nome de “The Trump Dividend” (O Dividendo de Trump).
A proposta é de uma simplicidade comovente: vençam as eleições para mim e eu entrego US$ 5 mil no bolso de cada adulto americano. O motivo de tamanha bondade? O “grande sucesso econômico” do país, claro. Nada como um dividendo patriótico para lembrar quem é que manda no cofre.
Contudo, como todo grande filantropo, Trump impôs suas pequenas condições morais. O mandatário fez questão de avisar que não quer ver ninguém usando a bagatela para gastar no Canadá, na China ou na Alemanha.
Aparentemente, o plano inclui um rastreador moral nas notas de dólar para garantir que o dinheiro seja gasto exclusivamente com tortas de maçã e caminhonetes americanas. “Agora, tudo o que temos que fazer é vencer“, resumiu o candidato, reduzindo toda a complexidade do processo eleitoral à dinâmica de uma raspadinha de posto de gasolina.
Matemáticos e economistas chatos, no entanto, insistem em estragar a festa com números. Com cerca de 245 milhões de cidadãos com 18 anos ou mais nos Estados Unidos, a brincadeira custaria algo em torno de US$ 1,2 trilhão aos cofres públicos.
Um detalhe minúsculo, quase insignificante, quando o que está em jogo é o ego partidário. Resta saber se o tesouro americano aceita fiado ou se o cheque da promoção vai vir assinado com a famosa canetinha hidrográfica do ex-presidente.
Fonte: Estadão – G1 Glob – CNN Brasil







