Longe de ser apenas um projeto cinematográfico, a produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro torna-se o centro de um escândalo de proporções financeiras e políticas internacionais.
O que começou como o financiamento de Dark Horse, a cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, transformou-se em uma complexa teia de investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O caso envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, uso indevido de verbas públicas, evasão de divisas e até possível ativismo político ilegal nos EUA contra os interesses econômicos do Brasil.
Investigações apontam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) articulou diretamente com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a captação de cerca de R$ 134 milhões para o projeto. A origem dos valores levanta sérios questionamentos éticos e jurídicos, já que a instituição financeira mantinha forte dependência de recursos oriundos de fundos de previdência de servidores públicos.
Paralelamente, apura-se o possível desvio de emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), cujas movimentações financeiras são tidas como incompatíveis com sua renda declarada.
Conexões internacionais – de acordo com manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e relatórios da PF, o ecossistema financeiro do filme ultrapassou as fronteiras nacionais. Parte expressiva dos valores remetidos ao exterior foi movimentada por meio do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos, cuja gestão no território americano teria contado com a orientação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A principal linha de apuração da Polícia Federal busca determinar se a totalidade desses recursos foi efetivamente empregada no longa-metragem ou se parcela do capital financiou a permanência e as articulações políticas de Eduardo Bolsonaro junto a agentes da política americana. A tese investigativa apura se tais ações teriam contribuído para medidas diplomáticas e comerciais desfavoráveis ao Brasil, o que poderia reconfigurar o enquadramento penal para crimes contra a soberania nacional e coação no curso do processo.
Fonte; UOL Coluna do Sakamoto







