Entre as empresas está a “Entre Investimentos” (do Grupo Entre, ligado a Antonio Carlos Freixo Junior), associado ao envio de US$ 12,33 milhões para o financiamento da cinebiografia “Dark Horse” projeto que contou com recursos vinculados ao empresário Daniel Vorcaro.
Uma ação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Gaeco, a Polícia Civil e auditores fiscais cumpriu, nesta quinta-feira (24), 32 mandados de busca e apreensão em onze cidades espalhadas por seis estados e no Distrito Federal. Batizada de Operação Crédito Oculto, a ofensiva desdobra-se a partir de provas da Operação Carbono Oculto e busca desmantelar um suposto esquema de lavagem de capitais associado ao mercado de combustíveis e ao crime organizado.
A apuração mira um total de 40 alvos, entre pessoas físicas, empresas e fundos de investimento, investigados por viabilizar estruturas financeiras para ocultar os reais proprietários de ativos milionários. Segundo os promotores, o mecanismo teria sido utilizado para encobrir a participação dos empresários Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”) e Mohamad Hussein Mourad (“Primo”) na compra da distribuidora Terrana (Tobrás), em uma negociação estimada em até R$ 153 milhões, além de esconder a titularidade de imóveis de alto valor
As investigações apontam que a operação utilizava uma complexa rede de empresas de fachada, Certificados de Depósito Bancário Vinculados (CDBV) e Cédulas de Crédito Bancário (CCB) para mascarar a origem e o destino final dos recursos.
Entre as empresas e estruturas citadas nas apurações está a Entre Investimentos (do Grupo Entre, ligado a Antonio Carlos Freixo Junior). O grupo figura nos levantamentos do MP-SP por ter realizado movimentações financeiras no setor e, paralelamente, ter sido associado ao envio de US$ 12,33 milhões para o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse projeto que contou com recursos vinculados ao empresário Daniel Vorcaro.
A apuração do Gaeco detalha ainda que a reestruturação dos fundos de investimento e a intermediação das holdings envolveu nomes como o advogado Rogério Garcia Peres, executivos do setor de combustíveis e ex-dirigentes de instituições financeiras, como Humberto Tupinambá, ex-sócio do Banco Genial.
Posição dos citados e desdobramentos – a decisão que autorizou as buscas, proferida pela 2.ª Vara Criminal de Catanduva (SP), determinou o bloqueio de bens de 16 empresas e a indisponibilidade de ativos ligados aos suspeitos.
Banco Genial: em nota, a instituição esclareceu que Humberto Tupinambá foi destituído e não integra a diretoria ou o quadro de sócios desde maio de 2026.
O banco afirmou que forneceu espontaneamente ao GAECO-SP todas as informações sobre o Fundo Radford e as holdings citadas, fez as devidas comunicações ao COAF e adotou medidas internas de governança e auditoria. Reforçou ainda que atuou rigorosamente dentro das normas vigentes à época e que renunciou à administração do fundo após os primeiros fatos tornados públicos, permanecendo à disposição da Justiça.
Outros citados: o espaço segue aberto para manifestação de todos os mencionados.
Fonte: Estadão e O Tempo







