Relatório da CGU identificou contratos do Credcesta que começaram a vigorar antes da assinatura dos aposentados do INSS; caso integra investigação sobre possíveis fraudes envolvendo o banco
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou irregularidades em contratos de crédito consignado vinculados ao Banco Master. Segundo o levantamento, 93,3% dos contratos analisados começaram a vigorar antes de os aposentados e pensionistas do INSS registrarem suas assinaturas.
Em 90,5% dos casos examinados, a assinatura foi registrada pelo menos dois dias após o início da vigência do contrato. De acordo com a CGU, a averbação de operações desse tipo depende de manifestação expressa do beneficiário, com assinatura acompanhada de reconhecimento biométrico.
O órgão também apontou que a diferença entre as datas pode dificultar a identificação do momento em que o contrato realmente passou a valer e provocar distorções no cálculo dos valores financiados e das dívidas dos clientes.
As operações fazem parte do Credcesta, uma das frentes que aparecem nas investigações envolvendo o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro. O caso também envolve investimentos realizados por fundos previdenciários de estados e municípios.
Ao todo, 18 fundos de previdência aplicaram aproximadamente R$ 1,876 bilhão em letras financeiras emitidas pelo banco. Esses títulos não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo destinado a proteger determinados investidores em situações de intervenção ou liquidação de instituições financeiras.
As investigações ganharam força em novembro de 2025, após a identificação de operações envolvendo carteiras de crédito consideradas sem lastro e títulos que, segundo as apurações, poderiam não ser honrados pelo banco. A partir daí, autoridades passaram a investigar a atuação da instituição, suas operações financeiras e as relações mantidas por Vorcaro.
O caso também passou a envolver apurações sobre contatos do empresário com integrantes de diferentes setores da sociedade. Reportagens publicadas durante as investigações relataram a realização de festas, viagens e outros eventos frequentados por empresários e pessoas ligadas à política e ao Judiciário.
Os números e as irregularidades apontadas pela CGU ainda fazem parte de investigações mais amplas sobre as operações do Banco Master. As apurações deverão esclarecer a extensão dos contratos questionados, eventuais responsabilidades e os impactos financeiros para aposentados, investidores, estados e municípios.
Fonte: sintrajufe.org.br







