Ataque a sistemas de refrigeração comprometeu a conservação de produtos perecíveis e levou ao descarte de estoques; autoridades investigam a origem da invasão
Mais de 400 supermercados na França foram afetados por um ataque cibernético registrado durante a noite, que comprometeu o funcionamento de sistemas de refrigeração e provocou a perda de grandes quantidades de alimentos frescos e congelados. O incidente foi identificado na segunda-feira (12) e atingiu unidades de grandes redes varejistas do país.
Entre as empresas afetadas estão Intermarché, Cooperative U, Leclerc e Les Mousquetaires. Segundo informações divulgadas pelas redes, os invasores conseguiram interferir nos equipamentos responsáveis pela conservação dos produtos, elevando as temperaturas de refrigeradores e congeladores e tornando parte dos estoques imprópria para consumo.
Em alguns estabelecimentos, os equipamentos teriam permanecido com temperaturas de até 50 °C por mais de seis horas. Diante do comprometimento da conservação, a Intermarché informou que precisou descartar todos os produtos frescos e congelados das lojas atingidas. A Leclerc, por sua vez, relatou que o ataque atingiu um de seus fornecedores de equipamentos, provocando impactos no funcionamento dos sistemas de refrigeração de diversas unidades.
O gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, informou que os equipamentos envolvidos utilizavam soluções da empresa dinamarquesa Danfoss. A companhia confirmou ter conhecimento de incidentes na França que atingiram um número limitado de sistemas de gerenciamento de refrigeração e afirmou que os equipamentos afetados operavam com versões desatualizadas do firmware, software responsável pelo controle interno dos dispositivos.
A empresa declarou que recomenda aos clientes manter os sistemas atualizados e substituir soluções antigas por tecnologias mais recentes. Ainda não foram divulgados detalhes conclusivos sobre como a invasão ocorreu ou quem estaria por trás da ação.
As autoridades francesas abriram uma investigação, com participação da Agência Nacional Francesa para a Segurança dos Sistemas de Informação (ANSSI). O governo também informou que mantém contato com autoridades de outros países europeus para verificar a possibilidade de ocorrências semelhantes fora da França.
Relatos de problemas de segurança também surgiram na Bélgica, em Luxemburgo e nos Países Baixos. No território holandês, a rede Ahold Delhaize informou ter desconectado sistemas de refrigeração como medida preventiva, mas ressaltou que a decisão não estava relacionada aos ataques registrados na França.
Até o momento, nenhum grupo ou indivíduo reivindicou a autoria do ciberataque. O episódio aumenta a preocupação com a segurança digital de setores essenciais, especialmente quando sistemas conectados à internet controlam equipamentos fundamentais para a conservação de alimentos e o abastecimento da população.
O caso também reacende o alerta sobre ataques cibernéticos contra infraestruturas críticas, incluindo ações que podem envolver programas maliciosos capazes de bloquear sistemas e exigir pagamentos para restabelecer o acesso. Em meio às tensões geopolíticas na Europa, autoridades francesas têm ampliado as medidas de proteção contra ameaças digitais, embora ainda não exista confirmação de que o incidente tenha relação com algum conflito internacional.
O impacto do ataque provocou manifestações de representantes do setor e de autoridades europeias. Dominique Schelcher, presidente da Cooperative U, classificou a invasão como extremamente grave, destacando a importância dos equipamentos para a conservação dos alimentos e o abastecimento da população francesa.
O comissário da União Europeia para Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, também condenou o episódio e defendeu maior atenção à segurança alimentar. O incidente evidencia como falhas ou invasões em sistemas tecnológicos podem ultrapassar o ambiente digital e provocar consequências diretas para o comércio, a economia e a população.
Fonte: dw.com







