Moradora de 33 anos vivia em condições precárias e apresentou sinais de problemas nutricionais; residência foi interditada após fiscalização sanitária.
Uma ocorrência registrada em Cristais Paulista, no interior de São Paulo, revelou a situação de vulnerabilidade em que viviam uma mulher de 33 anos e sua mãe, de 71. A jovem, que teria permanecido afastada do convívio social por aproximadamente 18 anos, foi encontrada na segunda-feira (26), em um cômodo escuro e sem ventilação adequada.
A descoberta ocorreu depois de uma denúncia encaminhada ao Disque 100, serviço federal que recebe relatos de possíveis violações de direitos humanos. Policiais civis e militares foram ao endereço para verificar a situação e solicitaram o apoio de uma representante da Vigilância Sanitária para conversar com a moradora.
De acordo com Renata Valéria de Souza Pinto, responsável pela Divisão de Saúde Pública da Vigilância Sanitária municipal, a mulher reagiu com medo à presença da equipe e pediu que os desconhecidos deixassem o local. A profissional precisou conversar com ela com cautela até conseguir estabelecer confiança e viabilizar o atendimento.
Durante o contato, a moradora contou que começou a se afastar das pessoas aos 15 anos, após enfrentar situações de bullying na escola. Segundo seu relato, as provocações estavam relacionadas a uma deformidade no tórax e nas costas.
A mulher afirmou que não sofria agressões da mãe. Conforme as informações divulgadas sobre o caso, o primeiro exame médico também não encontrou sinais aparentes de violência física. Apesar disso, a avaliação identificou indícios de desnutrição, anemia e falta de vitaminas, levando ao encaminhamento da paciente para atendimento em uma unidade de saúde.
A inspeção realizada no imóvel revelou outro aspecto preocupante: o acúmulo de materiais e as condições inadequadas de higiene. Diante dos problemas encontrados, a Vigilância Sanitária determinou a interdição da residência.
A equipe também levantou a possibilidade de que a mãe apresente transtorno de acumulação, condição que pode dificultar o descarte de objetos e comprometer a segurança e a organização dos ambientes. A suspeita, porém, ainda precisa ser avaliada por profissionais especializados.
Mãe e filha estão provisoriamente abrigadas na casa de familiares e deverão passar por avaliações médicas e psiquiátricas, além de receber acompanhamento psicológico e assistência social. A proposta é identificar as necessidades de ambas e desenvolver medidas de cuidado adequadas à situação.
Na terça-feira (27), Renata retornou ao encontro da mulher acompanhada de um investigador. Os dois levaram flores e chocolates, em uma tentativa de fortalecer o vínculo estabelecido durante o resgate. Segundo a profissional, a moradora reagiu de maneira receptiva ao reencontro.
O caso chamou a atenção para a necessidade de acompanhamento contínuo das duas mulheres, tanto em relação às condições de saúde quanto ao processo de retomada gradual do contato com outras pessoas.
Fonte: g1.globo.com







