No início da década 1960, um movimento para a criação de hinos em horarias aos municípios tomou fôlego na região. Aproveitando-se do fato, o então prefeito, Joaquim Coelho Filho, teve a ideia de criar um concurso público, visando à escolha de um hino dedicado à terra do balseiro.
A 29 de setembro de 1962, na sede da Corporação Musical Santa Cecília, os professores Arnaldo Marbassi, Sérgio Roberto Fernandes, Geraldo Antonio Picin, Otávio Bueno de Camargo e Mário Matoso, como jurados, assistiram a exibição de hinos, desconhecendo suas autorias, pelo Coro São José da Paróquia de Leme, SP, regido pelo maestro Durvalino Franco da Silva. Após a audição, os resultados apontaram como vencedora a composição, posteriormente identificada, dos professores Rubens Parada e José Eugênio Colli.
Oficializado pela Lei nº 446, de 28 de novembro daquele mesmo ano, reservando à Prefeitura Municipal o direito de propriedade, o Hino a Porto Ferreira permaneceu com fraca repercussão até o mês de julho de 1963, quando, pelo “O FERREIRENSE”, os munícipes observaram a publicidade da venda de um disco 78 rotações, contendo as gravações da música.
De acordo com notas do citado semanário, o lançamento comercial do disco foi possível graças ao investimento de 50 mil cruzeiros pela Prefeitura (terça parte do valor total), e de 20 mil cruzeiros a expensas particular do prefeito.
A empresa Estúdio 7, de São Paulo, que lançou menos de 50 discos de 78 rpm e alguns LPs e compactos, com efêmera prensagem, gravou a música no disco de número 7-006, estando, de um lado, executada pela “Orquestra Estúdio 7” – na verdade, uma banda de música, típica de retreta -, e do outro, pela “Orquestra e Coral do Estúdio 7”.
Vendido por 400 cruzeiros, valor abaixo do custo, o Hino a Porto Ferreira trazia uma capa própria, caso raro na era dos discos de 78 rotações, e foi distribuído, gratuitamente, às escolas municipais. Os autores distribuíram na comercialização uma partitura da melodia, contendo a letra mimeografada.
A divulgação, portanto, ganhou impulso através das ondas da única emissora de rádio local, Rádio Primavera, das audições da “furiosa” – corporação musical -, e dos habituais orfeões escolares. Eis a letra:
“Outrora, entre vergéis, quando escondida,
A história em teus caminhos perfilou;
Foste, por certo, a Bela Adormecida;
Que, o beijo do futuro despertou.
Contemplaste o passado e, da saudade,
Teu povo uma cidade edificou.
Estribilho:
Salve, Porto Ferreira
Doce rincão que, aos filhos, traz orgulho!
Bendita seja a data sobranceira.
Vinte e nove de julho!
Hoje a indústria é o teu lema, e por recesso
Tens, de escolas, o pálio altivo e são.
– Chaminés, monumentos do progresso!
– Estudantes, bandeiras da instrução!
Nos lampejos dos livros e do malho
Tu fazes, do trabalho, uma canção.
Salve ó Porto Ferreira da esperança!
Deus conserve bons fados para ti,
Que hás de ser hoje e sempre na pujança
A capital do Vale do Mogi!
Se teu povo te eleva na conquista
É que a seiva paulista vibra em ti.” (sic)
Como todos percebem em atos solenes, este hino, desde o seu lançamento, não possui até os dias atuais qualquer regravação, sendo utilizada nas cerimônias a gravação cantada, extraída do velho disco mono de 78 rotações.
Por Miguel Bragioni- Pesquisador da história de Porto Ferreira
P. S.: considerando a finalidade de difundir a história desta cidade, por entendimento mútuo, os sites portoferreirahoje e portoferreiraonline começam a divulgar em concomitância a coluna semanal “Porto Ferreira Ontem”. Congratulo os mantenedores dos sites pela decisão e pelo espírito institucional e responsável de avivar os acontecimentos registrados na história ferreirense.
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Fotos: capa e contracapa do disco de 78 rotações da gravadora Estúdio 7, que lançou o Hino a Porto Ferreira.







