Investigação aponta favorecimento de empresas, pagamento de propina à srvidores públicos municipais e contratos milionários com supostas empresas fantasmas
A Polícia Civil deflagrou na manhã de ontem, sexta-feira (26), a Operação Cortina de Fumaça, que apura um esquema de irregularidades em contratos públicos firmados pela Prefeitura de Cajuru, no interior de São Paulo.
A força-tarefa cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da administração municipal, em empresas e em endereços de suspeitos em cinco cidades, abrangendo os estados de São Paulo e Minas Gerais.
As investigações, que resultaram em três inquéritos distintos posteriormente conectados, miram agentes públicos que atuam nas áreas de licitação e obras do município. Segundo a polícia, as suspeitas incluem desde a facilitação para que empresas específicas vençam disputas até o recebimento de vantagens indevidas para liberar a execução de serviços contratados.
O primeiro dos inquéritos foi aberto em 2025 a partir de uma denúncia anônima que apontava a atuação de um pregoeiro municipal. Ele é suspeito de direcionar os resultados de licitações para favorecer determinados grupos empresariais .
A partir desse caso, outras duas investigações avançaram. Em uma delas, uma servidora do setor de engenharia da Prefeitura, que trabalha como fiscal de obras, passou a ser alvo da polícia. Há suspeitas de que ela recebia propina de empresas que foram beneficiadas pelo pregoeiro.
A terceira linha de apuração teve origem na denúncia de um representante de uma empresa que venceu uma concorrência pública. Ele relatou às autoridades que um funcionário da Secretaria Municipal de Obras cobrou propina para que o projeto pudesse ser executado, o que gerou a discordância do licitante e motivou a comunicação do caso à polícia .
Os serviços investigados são variados e incluem desde a limpeza de córregos e vicinais até a compra de vidros e obras de pavimentação na cidade . Os indícios apontam que as empresas contratadas pela Prefeitura podem ser “fantasmas”. As autoridades encontraram imóveis abandonados nos endereços registrados, o que reforça a suspeita de que os documentos seriam utilizados apenas para viabilizar os contratos e receber os pagamentos .
O montante sob suspeita é significativo para a realidade de um município de pequeno porte. Somente em um dos núcleos investigados, os contratos públicos que estão sendo analisados ultrapassaram a marca de R$ 3 milhões em repasses ao longo dos anos .
Fonte: G1 Ribeirão Preto







