Herdeiros espirituais dos barões do café do século XIX, lideranças da FIESP e CNI correm ao Senado para impedir o fim da escala 6×1; afirmando que será o caos econômico do país se for aprovada

Afinal, para os grandes empresários brasileiros, nada é mais assustador do que o trabalhador brasileiro com direito a ter dois dias de descanso, gerando: maior qualidade de vida, mais tempo para dedicar-se aos estudos e aos familiares.

O Brasil corre um risco gravíssimo: o risco de o trabalhador ter tempo para ver a própria família. Em uma mobilização heroica contra o fantasma do descanso semanal digno, cerca de 30 lideranças empresariais, incluindo figuras ilustres como Paulo Skaf (Fiesp) e Ricardo Alban (CNI), interromperam suas agendas atribuladas para na última terça-feira (26) para cumprir uma missão patriótica: implorar ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que segure o rojão e nã faça a votação do projeto que sugere o fim da escala 6×1.

Afinal, para os grandes empresários brasileiros, nada é mais assustador do que o trabalhador brasileiro descansando dois dias por semana.

O tom dramático adotado no Congresso ecoa, com uma fidelidade quase poética, os salões do final do século XIX. Em 1888, os grandes fazendeiros de café juravam de pés juntos que a abolição da escravidão seria o apocalipse financeiro do país. “O Brasil não está preparado”, “vai faltar braço na lavoura”, “a economia vai colapsar”, diziam os barões, com lágrimas nos olhos e o chicote no bolso.

Corta para 2026. A retórica mudou de roupagem, trocou a casaca pelo terno de corte italiano, mas a trilha sonora é exatamente a mesma.

“As pessoas que discutiram esse projeto não conhecem a realidade do Brasil”, disparou Paulo Skaf, encarnando o próprio Visconde de Nova Friburgo do século XXI.

Segundo as mentes brilhantes do nossos grandes empresários, a “realidade do Brasil” é, aparentemente, o trabalhador passar seis dias na engrenagem e usar o único dia de folga para lavar a roupa, limpar a casa e dormir de exaustão. Mudar isso? “Açodamento”, dizem eles. Afinal, a Lei Áurea já tem quase 140 anos, para que tanta pressa em avançar nos direitos trabalhistas?

Para dar aquele toque de ciência ao terrorismo psicológico, os empresários apresentaram seus cálculos matemáticos infalíveis: se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) passar, os preços vão subir entre 6% e 8%, porém não mostraram nenhum estudo sério, não levam em conta a redução das doenças do trabalhador, o aumento de produtividade, o menor Absenteísmo e maior qualificação da mão de obra com mais tempo para os estudos.

Ricardo Alban, presidente da CNI, queixou-se amargamente do “engessamento” das regras na Constituição. “Em lugar nenhum do mundo você tem escala de trabalho engessada na Constituição. Isso não existe”, reclamou, esquecendo-se, talvez, de que em boa parte do mundo civilizado as pessoas não precisam implorar para não trabalhar 44 horas semanais divididas em seis dias. Para Alban, o ideal é a “livre negociação” aquele momento lindo e simétrico onde o trabalhador em suaa vunerável senta à mesa com o bilionário para decidir, de igual para igual, quantas horas vai trabalhar.

O argumento mais fascinante do grupo, contudo, é o de que o fim da 6×1 está sendo usado como “bandeira eleitoral” e que o debate deve ser empurrado para depois das eleições. O raciocínio é genial: os políticos não deveriam votar projetos que a população deseja desesperadamente durante o período em que precisam de votos. Onde já se viu fazer política atendendo aos anseios da sociedade? É um ultraje.

O setor produtivo garante que Alcolumbre “ouviu com atenção”. Resta saber se o Senado vai votar com o relógio de 2026 ou se vai preferir manter o Brasil operando com a mentalidade de 1887, onde o maior patrimônio da nação não é o seu povo, mas sim a capacidade de exauri-lo até o talo.

Fonte: Gazeta do Povo – Texto produzido com auxílio de IA

Compartilhar

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ofertas

Humor

Sem piadas hoje, só a vida mesmo.

Rádio

Cotação Diária

BRL/USDR$5,06
BRL/EURR$5,89
BRL/BTCR$389.347
BRL/ETHR$10.436,11
27 maio · CurrencyRate · BRL
CurrencyRate.Today
Check: 27 May 2026 16:35 UTC
Latest change: 27 May 2026 16:26 UTC
API: CurrencyRate
Disclaimers. This plugin or website cannot guarantee the accuracy of the exchange rates displayed. You should confirm current rates before making any transactions that could be affected by changes in the exchange rates.
You can install this WP plugin on your website from the WordPress official website: Exchange Rates🚀
PORTO FERREIRA Clima
Edit Template

Cotação Diária

BRL/USDR$5,06
BRL/EURR$5,89
BRL/BTCR$389.347
BRL/ETHR$10.436,11
27 maio · CurrencyRate · BRL
CurrencyRate.Today
Check: 27 May 2026 16:35 UTC
Latest change: 27 May 2026 16:26 UTC
API: CurrencyRate
Disclaimers. This plugin or website cannot guarantee the accuracy of the exchange rates displayed. You should confirm current rates before making any transactions that could be affected by changes in the exchange rates.
You can install this WP plugin on your website from the WordPress official website: Exchange Rates🚀
PORTO FERREIRA Clima

Sociais

Youtube

*Os textos publicados são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação ou de seus controladores.

*Proibida a reprodução total ou parcial, cópia ou distribuição do conteúdo, sem autorização expressa por parte desse portal.