A tática do senador Rogério Marinho (PL-RN) é criar obstáculos processuais para esticar prazos, adiar a chegada da matéria ao Plenário e, no melhor dos cenários inviabilizar a aprovação do projeto conforme dejejo do candidadto Flávio bolsonaro que é contra o fim da jornada 6×1
Em mais uma demonstração clara de como a disputa eleitoral tem se sobreposto aos interesses da classe trabalhadora, o senador Rogério Marinho (PL-RN) atuou de forma decisiva nesta quarta-feira (2) para travar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da exaustiva jornada de trabalho 6×1.
O movimento, contudo, passa longe de ser uma atuação isolada: ex-ministro do Trabalho do governo Bolsonaro e atual coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Marinho opera no Congresso como o braço executivo de uma estratégia política desenhada para conter pautas sociais de apelo popular.
Ao solicitar pedido de vista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Marinho interrompeu a votação do parecer favorável apresentado pelo relator, senador Omar Aziz (PSD-AM). O relatório manteve de forma integral o texto original vindo da Câmara dos Deputados, proposta que reduz a carga semanal de 44 para 40 horas e assegura, no mínimo, dois dias de descanso por semana.
O gesto regimental, formalmente concedido pelo presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), sob a concessão de uma hora, expõe a tática da oposição: criar obstáculos processuais para esticar prazos, adiar a chegada da matéria ao Plenário e, no melhor dos cenários para o quartel-general de Flávio Bolsonaro, inviabilizar a aprovação do projeto.
O cálculo político sobre as costas do trabalhador – a tática de obstaculização adotada por Rogério Marinho explicita o temor da chapa bolsonarista de ver um tema com expressivo respaldo social avançar em pleno ano eleitoral. Em vez de se debruçar criticamente sobre os impactos reais da jornada de trabalho no bem-estar e na produtividade, a articulação da campanha prefere rifar o debate sob a justificativa de evitar uma “contaminação eleitoral” ou uma vitória política de seus adversários.
Ao empurrar com a barriga o debate de uma PEC que atinge diretamente milhões de brasileiros submetidos a rotinas extenuantes com apenas uma folga semanal, a coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro sinaliza prioridades distorcidas. O uso do regimento interno e da máquina parlamentar como mero escudo eleitoral reforça a indisposição do grupo em pactuar com avanços na legislação trabalhista, preferindo manter a classe trabalhadora presa a regimes arcaicos enquanto joga o jogo do adiamento nos corredores de Brasília
Fonte: Metrópoles – Estadão – O Globo







