O que é o Tempo, quando se trata de saudades e lembrança? Torna-se uma poeira cósmica, cheio de relatos, que carrega em sua alma as tristezas das guerras, da fome, da peste e da destruição. Mas este Tempo é o senhor que acumula muitas histórias e estórias, verdades, heróis e glórias.
O Tempo traz o relato da vida que floresce e exala o perfume dos anos feitos entre defeitos e acertos, a história dos homens, onde a glória parece bastarda, pois ela é passageira e carrega em seus dias, a constatação da breve existência da felicidade.
O por falar em felicidade, que tal falarmos em honestidade? Aonde a Honestidade deveria ser mais incisiva e corajosa certamente é no mundo da política. Ah, se ela desse as caras no famoso escândalo do mensalão!
Não se deve confundir Honestidade com o Politicamente Correto. O Politicamente Coreto é sempre cheio de dúvidas, sem uma ciência exata em sua existência.
Mas é a Honestidade que parece possuir o habitat natural as margem dos acontecimentos. E – este é o seu maior mistério, a chave da sua existência – ninguém jamais conseguiu descobrir porque a Honestidade tanto se esconde, quando mais precisa dela.
Contudo, em Porto Ferreira, um simples cidadão, trabalhador, conseguiu colocar a Honestidade em evidência. Seu nome? Carlos Celeste Traldi, mas conhecido como Carlão da Bicicletaria. O mito sem verniz, mas honestidade em pessoas. Seu trabalho não rendeu a glória dos homens, não rendeu troféu, mas ele sempre será lembrado pelo cidadão inconfundível, que trabalhava honestamente e assim constituiu sua família, sua carreira e sua história.
História que foi interrompida no trágico 6 de Dezembro de 2019. Por que o Tempo não corrigiu está fatalidade? Só ele é capaz de responder, com o tempo. Mas a verdade é que a Honestidade saiu de cena, na obra e na referência do seu Carlos Celeste Traldi ou simplesmente, Carlão da Bicicletaria.
A Honestidade que o acompanhou, vai ficar viva na memória do honesto, do desonesto e do politicamente correto.
Uma história que envergonha a desonestidade, a corrupção, a mentira, o engano, a malandragem. É isto que conta as páginas da vida de um trabalhador que foi um mito sem verniz.
O que importa? São as histórias que poderemos contar, as lembranças que poderemos carregar, as lições que poderemos aprender, que humanamente falando, é possível ao ser humano ser honesto e é isto que nossos filhos poderão aprender, se decidimos seguir o exemplo de pessoas, que aprenderam trilhar por este caminho; o caminho do bem, uma marca na trilha estreita da vida, que nos poderá tornar celeste, se na terra fizermos da Honestidade uma poesia, a poesia que torna em evidência o caráter do cidadão, marcado para deixar lembranças, assim como o Carlão da Bicicletaria deixou no trágico 6 de Dezembro de 2019.
Por Alex Magalhães Rocha







