Decisão ocorreu no Governo Jair Bolsonaro, nesse período em que a diretoria do Banco Central analisava e autorizava a operação, Vorcaro já era alvo de atenções e investigações da Polícia Federal
Em 14 de outubro de 2019, o sistema financeiro brasileiro registrou uma mudança relevante no controle de uma instituição bancária tradicional. Na data, o Banco Central do Brasil (BC) autorizou oficialmente a transferência do controle societário do então Banco Máxima para o empresário Daniel Vorcaro. A decisão permitiu que o investidor assumisse a gestão da instituição, que anos depois passaria a operar sob o nome Banco Master.
A autorização ocorreu em um contexto político e econômico específico. Naquele momento, o Brasil estava no primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro, que havia tomado posse em janeiro de 2019. No comando da autoridade monetária estava o economista Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central desde fevereiro daquele ano, período marcado por discussões sobre maior autonomia institucional do órgão.
A análise da operação foi conduzida pela estrutura de supervisão do Banco Central, especialmente pela Diretoria de Fiscalização, então chefiada por Paulo Sérgio Souza. Após avaliação regulatória, o BC concedeu o aval para que Vorcaro assumisse formalmente o controle da instituição financeira.
A homologação da transferência societária abriu caminho para a injeção de capital necessária à estabilização das operações do banco. O Banco Máxima enfrentava dificuldades e a entrada de um novo controlador foi considerada essencial para garantir a continuidade das atividades e a proteção dos depositantes.
Posteriormente, vieram a público relatos e documentos indicando que, no período em que o Banco Central analisava a operação, Vorcaro já era alvo de investigações da Polícia Federal. Ainda assim, o processo regulatório seguiu os critérios estabelecidos pela autoridade monetária, que avalia requisitos como capacidade financeira e reputação — conhecidos no setor como critérios de “idoneidade” ou “fidalguia” — para autorizar controladores de instituições financeiras.
Após a consolidação societária, a instituição iniciou um processo de reorganização interna, incluindo ajustes no balanço e mudanças estratégicas. Em 2021, o nome Banco Máxima foi oficialmente substituído pela marca Banco Master.
Sob a nova gestão, o banco ampliou sua atuação em segmentos como crédito consignado, serviços financeiros e banco de investimento, passando a figurar entre as instituições de crescimento acelerado no mercado doméstico.
O episódio ilustra o funcionamento da engrenagem regulatória do sistema financeiro brasileiro em momentos críticos para instituições bancárias. Nesses casos, a decisão técnica do Banco Central — conduzida à época por dirigentes como Roberto Campos Neto e Paulo Sérgio Souza — pode determinar a continuidade, transformação ou encerramento de instituições no mercado nacional.
Fonte: Metropoles e Foklha de S. Paulo







