Cresce o número de brasileiros que retornam ao país, mas muitos enfrentam dificuldades emocionais e choque de realidade
O retorno de brasileiros que viveram no exterior tem aumentado, impulsionado por políticas mais rígidas contra imigrantes em outros países e por oportunidades no Brasil. Apesar disso, a volta para casa nem sempre é simples e pode gerar frustração e sensação de não pertencimento.
Especialistas chamam esse fenômeno de síndrome do retorno, ou choque cultural reverso. O problema surge quando a expectativa criada durante o período fora não corresponde à realidade encontrada no país de origem.
Segundo a psicóloga intercultural Andrea Sebben, muitos imigrantes idealizam o Brasil enquanto estão no exterior, o que torna o reencontro mais difícil. Ao voltar, a pessoa percebe mudanças no cotidiano e enfrenta uma quebra de familiaridade.
Além disso, há um sentimento de ambivalência. Quem retorna sabe o que deixou para trás, mas não tem certeza do que vai encontrar. Em alguns casos, a sensação é de ter perdido dois lugares ao mesmo tempo.
O retorno pode ser voluntário, motivado por saudade da família e da cultura, ou forçado, como ocorreu com milhares de brasileiros deportados recentemente. Em resposta a esse movimento, o governo federal lançou um guia para orientar quem está voltando ao país.
Mesmo com diferentes histórias, os relatos costumam ser parecidos. Dificuldades para retomar a rotina, frustração com o dia a dia e comparação constante com a vida no exterior são comuns.
Especialistas recomendam planejamento e paciência, já que a readaptação não é imediata. Entender o processo e evitar idealizações pode ajudar quem decide recomeçar no Brasil.
Fonte: dw.com







