No sul do Líbano, a contagem regressiva para a paz foi marcada por bombas em vários alvos civis; 13 membros de uma mesma família foram mortos em um edifício residencial na cidade de Tiro.
A esperança de um retorno seguro para casa foi substituída por cinzas e luto para Hassan Abu Khalil. Enquanto o relógio avançava para os últimos minutos antes da entrada em vigor do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, as Forças Armadas de Israel desferiram um golpe devastador contra a cidade portuária de Tiro, no sul do Líbano, atacando várias áreas civis.
O resultado foi uma carnificina familiar: 13 parentes de Abu Khalil foram mortos, deixando o homem de 36 anos como o único sobrevivente de sua linhagem.
O ataque ocorreu no final da última quinta-feira (16), pouco antes da meia-noite, horário em que as armas deveriam, teoricamente, silenciar. Abu Khalil havia saído brevemente para encontrar amigos quando o estrondo de uma explosão massiva abalou a vizinhança. Ao retornar, encontrou apenas as ruínas de concreto pulverizado onde antes ficava sua residência.
“Neste prédio, mais de 13 membros da minha família estão desaparecidos sob os escombros. E então, Israel? Pouco antes do cessar-fogo, um massacre atrás de outro contra nós”, desabafou Abu Khalil à Reuters, enquanto observava escavadeiras removerem os destroços.
A tragédia da família Abu Khalil não é um caso isolado, mas o ápice de uma ofensiva final agressiva e com várias atrocidades cometidas pelas forças armadas israelenses. S
Enquanto as forças israelenses alegam que os ataques das últimas 24 horas visavam “quartéis-generais e lançadores de foguetes do Hezbollah”, o cenário em solo revela uma realidade de bairros residenciais dizimados.
Para os milhares de libaneses que iniciaram o caminho de volta ao sul na sexta-feira (17), cruzando barreiras de terra sobre pontes destruídas, o sentimento era de alívio misturado ao choque pela devastação.
Fonte: Folha de S. Paulo







