Apesar de dizer ser um bom gestor, Zema fez a dívida pública saltar de r$ 114 bilhões para mais de R$ 176 bilhões durante o seu governo de 2019 e 2026.
O discurso de “gestão eficiente” e “casa arrumada”, pilares da propaganda política do governador Romeu Zema (Novo), esbarra em um número que a publicidade oficial não consegue mascarar: R$ 176 bilhões. Este é o tamanho atual da dívida de Minas Gerais com a União, um montante que cresceu assombrosos 54,3% desde que o atual mandatário assumiu o Palácio Tiradentes em 2019.
Naquele ano, Minas devia R$ 114 bilhões. Hoje, após quase dois mandatos completos, o estado se vê mergulhado em um abismo fiscal cavado, em grande parte, pela estratégia de empurrar o problema com a barriga através de liminares judiciais e uma incapacidade política Crônica de selar acordos definitivos com o governo federal.
Durante anos, o governo Zema valeu-se de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o pagamento das parcelas da dívida. No entanto, o que foi vendido como “fôlego para o caixa” revelou-se um erro estratégico fatal: enquanto as parcelas não eram pagas, os juros e correções não pararam de incidir.
Sem o pagamento do serviço da dívida, os encargos foram incorporados ao saldo devedor (a chamada capitalização), fazendo com que o estoque da dívida crescesse em ritmo exponencial. Na prática, Zema “economizou” no curto prazo para entregar um estado muito mais endividado ao seu sucessor em 2026.
Outro ponto nevrálgico é a demora na implementação do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O governo estadual gastou anos em um embate ideológico e técnico, sem conseguir construir o consenso necessário na Assembleia Legislativa ou apresentar garantias sólidas ao Tesouro Nacional.
Enquanto outros estados buscavam saídas negociadas, Minas Gerais ficou paralisada entre:
- A insistência em privatizações impopulares como única moeda de troca.
- A falta de diálogo com as diferentes gestões em Brasília.
- O uso da dívida como palanque político, em vez de tratá-la como um problema técnico de Estado.
O resultado é um crescimento de mais de R$ 60 bilhões em apenas sete anos. Para se ter uma ideia da gravidade, o aumento da dívida no período Zema é superior a todo o orçamento anual do estado para áreas cruciais.
Ao chegar em 2026 com um passivo de R$ 176 bilhões, o governo mineiro deixa um cenário de terra arrasada para os próximos investimentos.
A “gestão austera” prometida em 2019 termina por entregar um estado com menos capacidade de investimento e totalmente dependente das benesses da União, provando que adiar o pagamento de juros não é administração financeira, é apenas transferência de responsabilidade.
Fonte: Folha de S. Paulo – imagem gerada com auxílio de IA







