Aumento de casos e mudanças climáticas colocam país no centro de investigação internacional
Autoridades da Argentina investigam se o país pode ser a origem de um surto de hantavírus registrado em um cruzeiro no Atlântico, que resultou em mortes entre passageiros. O episódio ocorre em meio ao crescimento de casos no país, que lidera a incidência da doença na América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Desde junho de 2025, foram confirmadas 101 infecções, número cerca de duas vezes maior que no ano anterior. A taxa de mortalidade também aumentou e se aproxima de um terço dos casos.
Especialistas apontam que as mudanças climáticas têm ampliado a circulação do vírus. Com temperaturas mais altas e alterações ambientais, roedores transmissores conseguem ocupar novas áreas, elevando o risco de contágio, que ocorre principalmente pelo contato com secreções desses animais.
O infectologista Hugo Pizzi afirma que a expansão do hantavírus está ligada a esse desequilíbrio ambiental. Já o vírus Andes, identificado no surto do navio, pode causar uma forma grave da doença e, raramente, ser transmitido entre pessoas.
As investigações buscam rastrear os locais visitados pelos passageiros antes do embarque em Ushuaia. A Organização Mundial da Saúde confirmou três mortes relacionadas ao surto.
Os sintomas iniciais se assemelham aos de uma gripe, o que pode atrasar o diagnóstico e agravar os casos, alerta o pesquisador Raúl González Ittig.
Diante do cenário, autoridades reforçam a importância da prevenção e do monitoramento, principalmente em regiões com presença de roedores e mudanças ambientais intensas.
Fonte: g1.globo.com







