Além de mutilar a vegetação urbana contrariando a legislação federal, galhos deixados nas calçadas forçaram pedestres a disputar espaço com os carros na via pública.
O cenário de descaso com a arborização urbana ganhou mais um capítulo alarmante na última semana em Porto Ferreira. Duas podas drásticas, com intervenções severas que frequentemente resultam na morte dos espécimes, foram realizadas na tradicional rua Dona Balbina, na região central do município.
A prática, apelidada popularmente de “aleijão”, desfigura a copa das árvores e compromete definitivamente a saúde da vegetação. O que chama a atenção, no entanto, é o desrespeito flagrante à legislação vigente: a Lei Federal nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) tipifica como crime o ato de destruir, danificar, lesar ou maltratar plantas de ornamentação de logradouros públicos. Uma realidade que parece ignorada tanto por quem executou o corte quanto por quem deu a autorização.
O problema ambiental rapidamente se desdobrou em um transtorno de mobilidade e segurança pública. Três dias após os cortes, os galhos e resíduos da poda continuavam abandonados sobre as calçadas da rua Dona Balbina. Sem espaço para circular, pedestres foram obrigados a caminhar pela pista de rolamento, dividindo espaço perigosamente com os veículos.
“É um sinal grave de que não há o mínimo de programação, planejamento ou entrosamento entre as partes envolvidas“, aponta o clamor popular que ecoa na cidade.
O episódio escancara um desalinhamento crônico entre duas frentes que deveriam atuar em total sinergia:
- Neoenergia: concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica no município (frequentemente envolvida em podas para desimpedimento de fiação).
- Secretaria do Meio Ambiente e Zeladoria (SEMAZ): órgão municipal responsável por fiscalizar, autorizar e zelar pelo patrimônio verde de Porto Ferreira.
O descaso não acontece por falta de aviso. O tema da arborização urbana e o manejo inadequado das árvores da cidade vêm sendo alvo de constantes alertas e debates na Câmara Municipal. Vereadores têm cobrado reiteradamente uma postura mais rígida de fiscalização e um cronograma eficiente de recolhimento de resíduos, evitando que a população pague o preço do descompasso administrativo.
Enquanto os múltiplos exemplos de árvores mortas por podas agressivas se acumulam pela cidade, a população da rua Dona Balbina assiste, entre o asfalto e o galho, à degradação do espaço urbano e à falta de respostas eficazes do poder público e da concessionária.
Por Vereador Matheus Ribaldo







