Em vez de rejeitarem a proposta em uma votação aberta, o que geraria o desgaste público de votar contra os caminhoneiros, a estratégia escolhida pelos paralamentares do Centrão foi o boicote. A meta é fazer com que a MP do governo Federal1.343/2026 perca a validade.
O que nasceu como uma ferramenta técnica para garantir o cumprimento de uma lei histórica transformou-se em uma das mais intensas e subterrâneas batalhas políticas do Congresso Nacional. A implantação recente da fiscalização eletrônica da tabela do frete, criada para rastrear e punir quem paga menos do que o piso mínimo estipulado para o transporte de cargas, disparou o alarme nos setores mais poderosos da economia brasileira.
Agora, uma forte articulação que une parlamentares bolsonaristas do PL, a bancada do Centrão – União Brasil, PSD, PP, MDB e Republicanos – com os gigantes do agronegócio e da indústria trabalha nos bastidores para esvaziar a medida, ignorando uma demanda que arrasta os caminhoneiros autônomos para o centro de uma crise em pleno ano eleitoral.
No centro do tiroteio está a Medida Provisória 1.343/2026, editada em março pelo governo Lula. O texto foi uma resposta direta à insatisfação dos caminhoneiros, sufocados pela recente alta no preço do diesel.
Ao endurecer a fiscalização por meio de sistemas eletrônicos, o Palácio do Planalto conseguiu o que parecia impossível: conter os意rumores e as ameaças reais de uma paralisação nacional da categoria, algo que causaria um impacto devastador na economia e no calendário eleitoral de 2026.
A tabela do frete é uma conquista que remonta à histórica greve de 2018. No entanto, os caminhoneiros autônomos denunciam que, sem uma fiscalização digital e rigorosa, o piso mínimo vira “letra morta”, já que as grandes empresas contratantes frequentemente impõem valores abaixo do legal, sabendo da impunidade.
Se para o caminhoneiro a fiscalização eletrônica significa sobrevivência e dignidade nas estradas, para os barões do agronegócio e da indústria ela representa diminuição dos lucros. É justamente aí que entra o pesado lobby empresarial.
Representantes do setor produtivo inundaram o Congresso com pressões para desidratar a MP. Para isso, encontraram terreno fértil na aliança entre os bolsonaristas e os partidos do Centrão para derrotar o governo Lula e impedir que esse tenha o apoio dos caminhoneiros nas eleições de 2026.
Valendo-se do habitual pragmatismo político, esses blocos passaram a obstruir o avanço da matéria nas comissões. A meta é fazer com que a MP 1.343/2026 perca a validade (caduque) sem sequer ser votada pelos plenários da Câmara e do Senado.
Fonte: Folha de S. Paulo







