Investigação da “Operação Unha e Carne” aponta conexões financeiras com o crime organizado e acende alerta sobre a influência de lideranças religiosas e da contravenção em áreas periféricas do país
A Polícia Federal prendeu o pastor evangélico Márcio Poncio na manhã desta quinta-feira, 2 de julho de 2026, em um flat localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A prisão integra a quinta fase da Operação Unha e Carne, que apura crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e conexões institucionais com organizações criminosas.
Além do líder religioso, a operação tem como alvos o contraventor conhecido como Adilsinho, apontado como chefe do jogo do bicho e da chamada “máfia do cigarro”, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já cumprem pena por desdobramentos anteriores da mesma investigação.
O cenário atual revela uma articulação complexa e cada vez mais frequente em que lideranças, principalmente pastores evangélicos se envolvendo diretamente em pontes financeiras e logísticas com facções criminosas e milícias, misturando a influência religiosa com estruturas ilícitas.
No caso da Operação Unha e Carne, os trabalhos começaram em dezembro de 2025 para investigar o vazamento de dados sigilosos de operações policiais que favoreciam a facção Comando Vermelho.
Ao longo das investigações, a Polícia Federal apreendeu documentos com o contraventor Adilsinho que detalhavam o pagamento de propinas, doações ilegais para campanhas eleitorais e estratégias de lavagem de dinheiro que alcançavam políticos e servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro.
O pastor evangélico Márcio Poncio entrou na mira da polícia justamente por suspeitas de movimentações financeiras ligadas a essa rede criminosa. Conhecido como o patriarca da influente família de influenciadores digitais Saulo e Sarah Poncio, o investigado possui forte atuação no ramo do tabaco, o que gerou o apelido de “pastor do cigarro”, além de comandar a Igreja da Nuvem.
Fonte: O Globo







