Renan Santos defende que o combate às emendas parlamentares e medidas fiscalistas a partir dos municípios são chaves para neutralizar a barganha política no Congresso.
A crise institucional e os desgastes enfrentados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) são reflexos diretos do crescimento e da consolidação do Centrão na política nacional. A análise foi apresentada ontem, quinta-feira (10), pelo candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, durante evento com presidenciáveis promovido pela Amcham (Câmara Americana de Comércio), na capital paulista.
Segundo o postulante, o STF assumiu protagonismo no cenário nacional quando passou a centralizar grandes apurações e julgamentos de corrupção envolvendo quadros políticos. Na avaliação de Santos, a Corte passou a responder a uma sobrecarga gerada pelas próprias dinâmicas do bloco partidário. “A partir dos anos 2010 que o STF virou esse problema, porque ele está respondendo a um problema que surge por conta do Centrão”, afirmou.
Para reverter esse quadro, o candidato do Missão sustenta que a prioridade deve ser desidratar a influência do Centrão dentro do Congresso Nacional, mirando na distribuição das emendas parlamentares. A estratégia proposta passa pelo incentivo econômico direto aos municípios para reduzir a dependência das prefeituras em relação aos repasses políticos.
“Pra destruir o Centrão, você precisa não ter mais compras de votos, e pra não ter compras de votos mais é preciso ter uma atividade econômica concreta nesses municípios que abastecem os prefeitos deles, que executam as emendas deles”, argumentou.
Santos caracterizou o bloco como “um sistema de amortecimento” focado em travar pautas de modernização no país com o intuito de obter vantagens em negociações políticos-partidárias: “O Centrão precisa gerar dificuldades para vender facilidades e obter uma correlação melhor de forças para ele, a gente tem que alterar na prática o que permite ao Centrão fazer isso”.
Fonte: Valor Econômico







