Maior queda mensal na economia desde a pandemia reacende o fantasma do desemprego e da fome na Argentina, empurrando milhões de pessoas para a vulnerabilidade em 2026
A estratégia econômica adotada pelo presidente Javier Milei e seu ministro da Economia, Luis Caputo, sofreu um duro golpe após a divulgação de novos indicadores oficiais que evidenciam o desaquecimento da atividade produtiva e o avanço galopante da crise social no país. Em julho de 2026, a atividade econômica registrou o recuo mensal mais severo desde o auge da pandemia de covid-19, arrastando setores vitais do consumo e mergulhando mais famílias na miséria e no desemprego.
Os dados do Estimador Mensal de Atividade Econômica (Emae), revelados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), apontam uma retração de 2,9% em julho frente a junho. Na comparação anual com julho de 2025, o tombo foi de 1,4% — marcando a primeira queda nessa base de comparação desde o início do ano.
A desidratação da economia vem acompanhada pelo colapso do poder de compra e pela retração expressiva no consumo de alimentos e bens essenciais.
O colapso do consumo e da produção – o enfraquecimento atingiu em cheio a economia real. Dos 15 setores analisados pelo Indec, oito operaram no vermelho. O comércio e a indústria de transformação lideraram os impactos negativos, pressionando os índices de emprego e a renda familiar:
- Comércio (atacado e varejo): -5,1%
- Indústria de transformação: -4,6%
- Construção: -3,3%
- Intermediação financeira: -3,0%
- Transportes e comunicações: -1,5%
Embora setores como a Pesca (+424,5%), Mineração (+8,4%) e a Agropecuária (+0,7%) tenham apresentado recuperação pontual, o avanço dessas atividades não foi suficiente para estancar as perdas estruturais do comércio e da produção industrial, que juntos retiraram 1,3 ponto percentual do indicador global.
Crianças e extrema pobreza no centro do impacto social – a paralisia econômica refletiu-se imediatamente na piora dos indicadores sociais. O Indec informou que a taxa de pobreza deu um salto e atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026 — rompendo a tendência de queda que vinha sendo registrada no final de 2025, quando o índice era de 28,2%.
Hoje, 15,4 milhões de argentinos vivem abaixo da linha da pobreza, o que representa a entrada de cerca de 2 milhões de pessoas nesse contingente em apenas seis meses.
A vulnerabilidade atinge seu ponto mais crítico na infância: a pobreza infantil saltou de 41,3% para 44,5%, indicando que quase metade das crianças do país enfrenta restrições graves no acesso a alimentos e serviços essenciais.
Paralelamente, a extrema pobreza (indigência) cresceu de 6,3% para 7,5% no mesmo período, expondo mais famílias a cenários diretos de fome, desemprego e extrema privação do consumo básico. O avanço desses indicadores coloca o plano de ajuste do governo sob severo questionamento popular e político no país.
Fonte: Metrópoles







