Especialistas destacam que hábitos saudáveis e acompanhamento médico desde cedo podem ajudar a reduzir os principais fatores de risco cardiovascular
O acidente vascular cerebral (AVC), frequentemente associado ao envelhecimento, também tem sido registrado com maior frequência entre adultos jovens. Um estudo publicado na revista médica Neurology apontou que a taxa de primeiros AVCs entre pessoas de 20 a 54 anos quase dobrou entre 1993 e 2020.
A pesquisa analisou dados da região metropolitana de Cincinnati e do norte do Kentucky, nos Estados Unidos. No período estudado, foram registrados 2.076 primeiros episódios de AVC. A taxa passou de 33,9 casos para cada 100 mil pessoas entre 1993 e 1994 para 62,2 casos por 100 mil em 2020.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelos AVCs isquêmicos, que acontecem quando um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro fica obstruído, reduzindo o fornecimento de oxigênio para a região.
Os pesquisadores também identificaram mudanças importantes na presença de fatores de risco entre os pacientes. A hipertensão passou de 47% para 60%, enquanto o diabetes aumentou de 19% para 26%. A fibrilação atrial subiu de 1% para 6% e o uso de substâncias passou de 5% para 40%, índice que os autores relacionaram principalmente ao aumento do consumo de maconha.
O estudo, no entanto, não permite afirmar que esses fatores sejam os responsáveis diretos pelo crescimento dos casos, já que não foram analisados dados equivalentes de pessoas que não tiveram AVC.
Especialistas ouvidos sobre a pesquisa destacam que outros problemas também podem estar relacionados ao aumento do risco, como obesidade, colesterol elevado, sedentarismo, alimentação inadequada, privação de sono e níveis elevados de estresse.
Entre as principais recomendações está o acompanhamento regular da saúde cardiovascular ainda na juventude. A orientação inclui manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, não fumar, dormir bem e controlar o peso, a pressão arterial, o colesterol e a glicemia.
A realização de consultas periódicas também pode ajudar na identificação antecipada de alterações que aumentam o risco cardiovascular. Segundo os especialistas, agir antes do surgimento de complicações oferece mais oportunidades para controlar esses fatores.
Apesar do crescimento observado no estudo, neurologistas ressaltam que o AVC continua sendo um evento relativamente raro entre adultos jovens. A recomendação, portanto, não é de preocupação excessiva, mas de atenção aos hábitos de vida e aos cuidados preventivos.
No caso das mulheres jovens, especialistas recomendam atenção especial à pressão arterial durante a gravidez e após o parto. Também é importante conversar com um profissional de saúde sobre episódios de enxaqueca acompanhados de alterações visuais quando houver uso de anticoncepcionais à base de estrogênio.
Os pesquisadores reforçam que reconhecer os fatores de risco e buscar acompanhamento médico desde cedo pode contribuir para a prevenção de problemas cardiovasculares ao longo da vida.
Fonte: noticias.r7.com







