Situação no bairro Santa Cruz dos Operários provoca mau cheiro e preocupação entre moradores; Prefeitura afirma ter projeto para solucionar o problema, mas aguarda autorizações
Moradores de Descalvado (SP) convivem há mais de dez anos com o despejo de esgoto sem tratamento diretamente no córrego Ribeirão Bonito, no bairro Santa Cruz dos Operários. A situação provoca mau cheiro, especialmente nos dias mais quentes, e aumenta a preocupação da população com os impactos ambientais e possíveis riscos à saúde.
Registros feitos por moradores mostram o esgoto saindo de uma tubulação e sendo lançado diretamente no curso d’água. Segundo relatos, o problema é antigo e afeta famílias que vivem nas proximidades, inclusive crianças.
O comerciante Nilton Fernando Colussi contou que percebeu o forte odor ao passar pelo local com o filho e decidiu verificar a origem do problema. Segundo ele, o Ribeirão Bonito era utilizado pela população para atividades de lazer no passado, mas atualmente apresenta condições bastante diferentes.
Além dos impactos no bairro, a preocupação também envolve a preservação ambiental da região. O Ribeirão Bonito segue em direção ao Rio Bonito, que posteriormente deságua no Rio Mogi-Guaçu. Dessa forma, o lançamento irregular de esgoto pode comprometer a qualidade da água ao longo de diferentes trechos da bacia hidrográfica.
Prefeitura afirma que solução está em planejamento
De acordo com o secretário municipal de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, Valdecir Marcolino, o problema é conhecido pelo município e está relacionado à estrutura de coleta implantada na região.
A Prefeitura de Descalvado afirma que possui um projeto para interromper o lançamento de esgoto no córrego. Para a execução da obra, porém, ainda são necessárias autorizações, já que o ponto onde ocorre o despejo está localizado sob uma ponte, em área de domínio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
A proposta prevê a instalação de uma estrutura que permita interligar os pontos de coleta ao emissário existente. Segundo o secretário, a configuração atual do sistema não possui declividade suficiente para conduzir o esgoto até o emissário, motivo pelo qual o material acaba sendo lançado diretamente no córrego.
A administração municipal informou que pretende executar a intervenção até o final de 2027. A expectativa é que, com a conclusão da obra, todo o esgoto coletado no município seja encaminhado para tratamento.
Enquanto a solução definitiva não é implantada, moradores continuam convivendo com o mau cheiro e a preocupação com os efeitos do despejo irregular.
O servente Alexandre Toledo relatou que o problema fica ainda mais perceptível durante os períodos de calor. Segundo ele, o odor provoca desconforto e aumenta a preocupação com as crianças que vivem na região.
Fonte: g1.globo.com







