Funcionária de 28 anos trabalhava em um instituto especializado no estudo da peste, enquanto autoridades russas negam, até o momento, relação entre a morte e a doença
A morte de uma pesquisadora de 28 anos em uma cidade da região de Irkutsk, na Sibéria, provocou questionamentos sobre as circunstâncias do caso e levantou especulações sobre um possível episódio envolvendo peste pneumônica. A mulher, identificada pela imprensa russa como Darya Shipilova, trabalhava no Instituto Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente.
Shipilova teria apresentado problemas de saúde no fim de setembro e foi encaminhada a um hospital em Shelekhov, cidade localizada nas proximidades de Irkutsk. Ela morreu poucos dias depois. A data exata do falecimento não foi confirmada de forma independente.
Apesar das especulações, as autoridades russas não confirmaram que a morte tenha sido provocada pela peste. Inicialmente, porém, autoridades de uma região vizinha chegaram a afirmar que a pesquisadora havia morrido em decorrência da doença. Posteriormente, a versão foi contestada por autoridades locais, que passaram a negar uma relação confirmada com a peste.
O caso ganhou repercussão após relatos sobre medidas de precaução na região. O hospital onde a pesquisadora teria sido atendida entrou em quarentena, enquanto uma fábrica de alumínio determinou o uso obrigatório de máscaras. Um evento de grande porte em Irkutsk também teria sido cancelado.
Cerca de 197 pessoas que tiveram algum tipo de contato com a pesquisadora foram colocadas sob acompanhamento médico, segundo informações divulgadas pela imprensa russa. As autoridades passaram a monitorar essas pessoas diante da possibilidade de uma infecção considerada de alto risco.
A principal autoridade sanitária da Rússia, Anna Popova, responsável pela Rospotrebnadzor, esteve em Irkutsk para participar de uma reunião de emergência relacionada à situação. O encontro foi convocado para discutir o que as autoridades classificaram como um caso suspeito de uma infecção especialmente perigosa.
As circunstâncias que levaram à morte da pesquisadora ainda não estão completamente esclarecidas. Entre as hipóteses divulgadas por veículos de imprensa estão um possível acidente em laboratório e uma eventual exposição ao agente causador da peste durante uma viagem. Nenhuma dessas versões foi oficialmente confirmada.
Um relato não confirmado apontou que Shipilova teria adoecido depois de quebrar um tubo de ensaio no laboratório. Também surgiram informações de que o recipiente poderia conter o agente causador da peste. Outra possibilidade levantada é que a pesquisadora tenha sido exposta durante uma expedição à Buriácia, região onde a doença ocorre naturalmente entre populações de roedores silvestres.
A situação chamou a atenção internacional. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a Rússia deveria fornecer mais informações sobre o caso e disse que o governo norte-americano acompanha a situação de perto.
Até o momento, não há confirmação pública de que tenha ocorrido um vazamento no instituto ou de que a pesquisadora tenha transmitido a doença a outras pessoas. As medidas adotadas pelas autoridades são tratadas como precaução enquanto as circunstâncias da morte e a causa da infecção, caso exista, são investigadas.
Fonte: bbc.com







