Precipitação em Ribeirão Preto superou em 44% a média histórica de setembro; usinas preveem estender a moagem até dezembro e toneladas de cana podem ficar para a próxima safra.
As chuvas acima do esperado para o início da primavera estão trazendo dificuldades para o setor sucroenergético no interior de São Paulo. Na região de Ribeirão Preto, foram registrados 100 milímetros de precipitação em setembro, volume 44% superior à média histórica do mês. O cenário tem afetado a qualidade da cana-de-açúcar e obrigado as usinas a modificar o planejamento da colheita.
O problema ocorre porque a água em excesso pode estimular o desenvolvimento de plantas que já atingiram o ponto ideal para o corte. Em vez de manter o açúcar acumulado nos colmos, a cana volta a direcionar parte dessa reserva para o crescimento de folhas, raízes e caules. Com isso, diminui a concentração de açúcar disponível para a produção industrial.
A mudança interfere tanto na remuneração dos agricultores quanto no rendimento das usinas. O pagamento pela matéria-prima considera o Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador que influencia o valor recebido por tonelada de cana entregue. Quando esse índice cai, os produtores podem ter redução nos ganhos. Nas fábricas, o aumento da umidade e das impurezas também dificulta o processamento e pode comprometer a fabricação de açúcar e etanol.
As condições do tempo ainda prejudicam o trabalho das equipes no campo. Com o solo encharcado, a entrada de máquinas pode provocar compactação, danificar as soqueiras responsáveis pela rebrota e aumentar as perdas durante a operação. Por isso, a colheita precisa ser adaptada às condições de cada área.
Diante das dificuldades, usinas da região de Ribeirão Preto revisaram a previsão de encerramento da moagem. A expectativa, que era concluir os trabalhos no fim de novembro, passou para o início de dezembro, representando um prolongamento de aproximadamente 15 dias. Para reduzir o risco de interrupções nas fábricas, algumas unidades passaram a alternar o transporte da cana entre áreas com condições diferentes de acesso.
Os reflexos também podem chegar à próxima temporada. Segundo levantamento da consultoria Datagro, mais de 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar poderão permanecer no campo na região Centro-Sul do Brasil para processamento no ciclo seguinte. Se a estimativa se confirmar, será um volume recorde, acima das 24 milhões de toneladas que ficaram sem colheita no prazo na safra 2015/2016.
A permanência dessa matéria-prima nos canaviais pode reduzir a disponibilidade imediata para as usinas e influenciar os preços do açúcar e do etanol. Por outro lado, a cana que não for processada nesta temporada poderá se somar à produção prevista para a próxima safra, exigindo novos ajustes no planejamento do setor.
Fonte: g1.globo.com









