Profissionais relatam pendências desde agosto e pedem apuração do Ministério Público; Santa Casa nega interrupção dos atendimentos e prevê repasse para 28 de outubro
Médicos que trabalham no Pronto Atendimento (PPA) de Casa Branca relatam atrasos nos pagamentos desde agosto e pedem que o Ministério Público investigue a destinação dos recursos financeiros repassados à Santa Casa. Uma representação sobre o caso, datada de 24 de outubro, começou a ser protocolada nesta segunda-feira (26), conforme informações divulgadas pelo Portal da Cidade.
No documento, os profissionais comunicam a possibilidade de suspender procedimentos eletivos e atendimentos não urgentes caso as pendências continuem, com a manutenção dos serviços de urgência e emergência. Apesar dos relatos, a Santa Casa afirma que os atendimentos seguem normalmente e informa que o próximo repasse financeiro está previsto para quarta-feira (28).
Os médicos alegam que receberam pagamentos parciais, mas que os valores restantes ainda não foram quitados. Segundo eles, também não foi apresentado um cronograma efetivo para a regularização das dívidas.
A representação levanta dúvidas sobre a aplicação de recursos que, segundo informações mencionadas pelos profissionais, teriam sido repassados à instituição para custear os serviços médicos. Há suspeitas de que parte desses valores possa ter sido direcionada a outras despesas administrativas e operacionais. Os próprios autores do documento ressaltam que essas informações precisam ser verificadas.
Entre os pedidos apresentados estão a análise dos repasses realizados desde agosto, a apresentação de comprovantes financeiros, prestações de contas e demonstrativos de pagamentos, além de providências para regularizar os valores pendentes e garantir a continuidade da assistência à população. Até o momento, não há confirmação de que o Ministério Público tenha aberto uma investigação.
O vereador Renato Romano também se manifestou sobre o caso. Segundo ele, um levantamento feito junto à Secretaria Municipal de Saúde apontou que a Prefeitura mantém os repasses à Santa Casa. Os recursos, conforme explicou, são destinados ao custeio de convênios e serviços de saúde, incluindo o Pronto Atendimento.
O parlamentar questionou a situação diante das reclamações sobre falta de medicamentos, insumos e atrasos na remuneração dos profissionais. Ele afirmou que pretende solicitar a abertura de inquérito policial para esclarecer a utilização do dinheiro destinado à instituição.
Romano também relatou queixas de trabalhadores sobre possíveis irregularidades nos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e no pagamento de parcelas de empréstimos consignados. De acordo com o vereador, há relatos de descontos realizados nos salários sem o correspondente repasse aos credores. Ele informou que está encaminhando extratos bancários e holerites ao Ministério Público.
Em nota, a Santa Casa negou que tenha ocorrido interrupção dos atendimentos em razão da alteração no cronograma financeiro. A instituição atribuiu a situação a uma mudança na data do repasse, previsto para 28 de outubro, e afirmou que mantém diálogo com os envolvidos para cumprir seus compromissos e preservar os serviços prestados à população.
A manifestação da entidade não esclareceu especificamente as pendências relatadas pelos médicos desde agosto nem as suspeitas sobre a destinação dos recursos. Também não houve resposta aos questionamentos apresentados pelo vereador sobre FGTS e empréstimos consignados.
O episódio ocorre enquanto a Câmara Municipal de Casa Branca conduz uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Saúde, instalada em 6 de outubro após solicitação do vereador Márcio Sabaini (PL).
A comissão investiga questões relacionadas à contratação de médicos, à continuidade dos atendimentos, ao funcionamento do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), a possíveis pagamentos pendentes e aos repasses destinados à Santa Casa. O trabalho também abrange a intervenção municipal na instituição, entre agosto de 2024 e novembro de 2025, e possíveis consequências locais de um convênio com São José do Rio Preto, posteriormente anulado.
Integram a CEI os vereadores Murilo Giordan (PSD), Jacaré (PSD), Benê (União), Markin Germano (MDB) e Eurico Sassi (União). A apuração poderá contribuir para esclarecer as pendências financeiras relatadas, a utilização dos recursos e as medidas necessárias para garantir a continuidade dos serviços de saúde no município.
Fonte: casabranca.portaldacidade.com







