Um ponto de vista (não) capital

Mais de duzentos quilômetros, muito mais que duzentos reais, a cada duzentos dias ou mais.

Porto Ferreira, 10 de Junho de 1992. Para os nativos; a história é famosa, a Vila é Famosa. O nome do gol é genérico (Junior), mas o orgulho é original.

Cada um tem sua versão. Uns dizem que Neto na entrevista prometeu 1 ou 2 gols e que logo sairia da partida, outros dizem que ele só entraria se o jogo amistoso estivesse complicado para o Corinthians diante da Sociedade Esportiva Palmeirinha. A verdade? Não sei. Nem nascido eu era.

No campo a rede balançou apenas uma vez, e que vez; a impressão é de que balança até os dias de hoje. Esse é o ponto onde quero chegar.

Percebo que as opiniões sobre "acabar com os estaduais" vem de um grupo específico de pessoas; sejam elas paulistanas, ou moram na capital, ou tem raízes na capital (como parentes próximos ou por questões profissionais), sócio-torcedores, ou quem não faz questão de assistir os jogos no estádio. Posso estar enganado, mas assim como em uma breve espiada no mapa do estado de São Paulo, a atenção é direcionada ao ponto mais chamativo, a capital, fazendo com que uma população, que por sinal é maior do que muitos países da Europa, passasse despercebida.

O futebol é um esporte popular. Esporte, povo, lar. Quem diria que um clichê mais antigo que o próprio campeonato pudesse descrever a palavra chave desse breve ponto de vista: acessibilidade.

O que seria do interior do estado sem o time do coração por perto?

Só quem é do interior sabe o que é ter que acompanhar o sorteio dos grupos e torcer para que seu time enfrente os da região fora de casa, para termos ao menos uma chance de poder vê-los.

O campeonato permite com que clubes como Ferroviária de Araraquara, Rio Claro, Inter de Limeira, Botafogo de Ribeirão Preto e tantos outros clubes do interior considerados "pequenos" se comportem como imãs para os considerados "grandes".

Na física, pelo pouco que sei, os opostos se atraem, mas é o grande que trás pequeno para próximo de si. Ainda bem que no futebol , ou pelomenos ainda, graças aos estaduais, existe essa excessão.

Que torçamos então para que os pequenos atraiam os grandes; pois, nos gramados daqui, a luta os aguarda. Luta no bom sentido, é claro, pois nossa verdadeira luta é outra.

Salve o torcedor paulista! Aquele que realmente está na fila hà mais tempo.

E que sejamos francos; qual a chance de um torcedor típico, com diversas ocupações, de classe média ou baixa poder ver seu time na capital? Nas grandes arenas modernas? Praticamente zero.

Aproveitando a deixa da matemática, uma conta nem tão simples assim: 20000 torcedores em cada um dos 5 jogos na capital não totalizarão 100000 privilegiados, até porque são torcedores frequentes, onde muitos deles, talvez até a maioria, usufruirão da oportunidade mais de uma vez. Do ponto de vista acessível, é mais vantajoso ter 10000 pessoas nos jogos em Ribeirão Preto, Campinas ou Araraquara do que 20000 em São Paulo.

A acessibilidade, como dita anteriormente, estará mais atuante nessas ocasiões.

Do ponto de vista técnico, eu, como torcedor comum, troco dar um passo atrás por uma situação específica: "Sobre a cidade Porto Ferreira. Qual a primeira lembrança que te vem em mente?" E a resposta (de qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo) for uma partida de futebol.

A pergunta é relativamente simples (como tudo aqui no interior) para uma questão complexa. Não tirem isso da gente.

Mais de duzentos quilômetros, muito mais que duzentos reais, a cada duzentos dias ou mais. No virar da página, ano após ano, assim como o campeonato estadual. Este é o roteiro do torcedor comum do interior, mas que tem de especial a contagem nos dedos dos momentos únicos.

Não sou o que mais entende, mas essa discussão é, definitivamente das boas.

Por Eduardo Factor Sleman – Porto Ferreira, 14 de Março de 2021

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