Quando falo de centro aqui, não me refiro ao centro fisiológico, ao “Centrão”, que tanto mal causa ao país e ao sistema democrático. Me refiro ao centro programático, que estabelece agenda e programas para enfrentar problemas políticos estabelecidos.
No imaginário da sociedade, motivada pela associação direta com lideranças políticas e candidatos, há duas posições políticas muito visíveis e fáceis de identificar: a velha e tradicional dualidade entre direita e esquerda. Porém, quando se trata do centro na política, muitas vezes falta clareza para que as pessoas associem rapidamente essa posição uma ideia concreta.
Na universidade, durante diálogos com meus colegas, quando assumo uma posição de centro, vários deles me perguntam: afinal de contas, o que é ser de centro?
Quando falo de centro aqui, não me refiro ao centro fisiológico, ao “Centrão”, que tanto mal causa ao país e ao sistema democrático. Me refiro ao centro programático, que estabelece agenda e programas para enfrentar problemas políticos estabelecidos. É importante diferenciar o centro fisiológico do centro programático.
O centro fisiológico, conhecido pela sociedade como centrão, não tem compromisso com o desenvolvimento do país; seus interesses são outros. Suas ações pautam-se na lógica da troca entre apoio parlamentar, para possibilitar a governabilidade, e a garantia de acesso a recursos e cargos governamentais que possibilitem o sucesso eleitoral. A finalidade, aqui, é bem clara: a manutenção do poder e da estabilidade política.
O centro programático é aquele que acredita que a melhor organização social é aquela que se regula por alguma forma de equilíbrio entre valores e princípios que, em alguns momentos, parecem inconciliáveis e, em outros, conciliáveis.
O centro possui a capacidade de conciliação que tem o poder de impedir traumas ou drásticas transformações. Sua ponderação e sua moderação características possuem mecanismos para impedir danos que, a longo prazo, podem custar muito à sociedade. Além disso, essa mesma ponderação característica pode fortalecer a implementação de mudanças na sociedade, de modo a possibilitar sua incorporação saudável ao longo do tempo.
Além disso, o centro é o campo que consegue conciliar a necessidade de enfrentar as necessidades sociais que, historicamente, uma grande parcela da população brasileira enfrenta em seu cotidiano, promovendo políticas públicas de qualidade ligadas à educação, à saúde e à seguridade social. Junto a isso, possui a habilidade de compreender as necessidades de uma política econômica que proporcione o desenvolvimento e comporte as novas necessidades dos brasileiros, contrariando o fundamentalismo que defende que uma ou outra medida estará necessariamente certa, independentemente do contexto em que estiver inserida.
Portanto, ser de centro é ter habilidade para enxergar e conciliar ideias diferentes para a implementação de políticas públicas. É implementar mudanças que impactam diretamente a vida das pessoas. E, o mais importante, é superar o fundamentalismo, afirmando que ideias diferentes podem ser conciliáveis e podem ser a solução para problemas reais.
Por Gustavo Bispo – Graduando em Administração Pública pela Unesp de Araraquara (SP)








