Estudo revela que longas jornadas estão associadas a salários mais baixos e maior instabilidade nos vínculos de trabalho no país
Sete em cada dez trabalhadores com carteira assinada no Brasil cumprem jornada de 44 horas semanais, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados da RAIS 2023. O estudo mostra que, além da carga horária mais extensa, esse grupo também recebe remuneração significativamente menor em comparação a quem trabalha 40 horas por semana.
De acordo com o levantamento, a média salarial dos trabalhadores com jornada de 44 horas é de R$ 2.627,25 mensais. Já entre aqueles com carga de 40 horas semanais, o rendimento médio chega a R$ 6.211. A diferença representa uma defasagem de cerca de 58%, calculada a partir do valor do salário por hora trabalhada.
O estudo também indica que vínculos com jornadas superiores a 40 horas tendem a ser menos estáveis. Esses trabalhadores apresentam maior rotatividade e permanência mais curta nos empregos.
Segundo o Ipea, fatores como baixa escolaridade e menor qualificação ajudam a explicar a diferença de rendimentos. As ocupações com maior incidência de jornadas longas estão concentradas em funções que exigem pouca formação formal, como mecânicos, operadores de máquinas industriais, trabalhadores do setor agropecuário e atividades do comércio e serviços.
Nesses segmentos, entre 80% e 90% dos profissionais cumprem jornadas de 41 horas ou mais por semana, reforçando a concentração de longas cargas horárias em funções operacionais e de menor qualificação.
Fonte: O Globo







