Imunizante da Fiocruz é o primeiro desenvolvido integralmente no país com a tecnologia e pode abrir caminho para novas vacinas e terapias
O Brasil deu um importante passo no desenvolvimento de tecnologias de saúde. A vacina contra a Covid-19 criada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os estudos clínicos em humanos.
O avanço é considerado estratégico porque o mRNA funciona como uma plataforma que pode ser adaptada para diferentes doenças. A tecnologia entrega às células uma instrução genética temporária para que elas produzam uma proteína capaz de estimular a resposta do sistema imunológico.
Além da Covid-19, pesquisadores brasileiros já estudam aplicações contra o câncer. Em testes com animais, uma das pesquisas conseguiu reduzir em até 85% o volume de tumores ao utilizar o RNA mensageiro para induzir células tumorais a produzirem uma proteína com ação antitumoral.
Outra frente busca desenvolver uma versão do tratamento CAR-T baseada em mRNA, com potencial para reduzir a necessidade de retirar e modificar células do paciente em laboratório.
O Ministério da Saúde anunciou R$ 210 milhões para ampliar pesquisas com a tecnologia na Fiocruz, no Instituto Butantan e no Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas), em Minas Gerais.
O recrutamento dos primeiros voluntários para os testes da vacina contra a Covid-19 está previsto para o primeiro trimestre de 2027, após a aprovação do protocolo pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Os participantes serão acompanhados durante um ano.
A vacina é considerada um marco para a ciência brasileira por ter sua estrutura genética e a nanopartícula que transporta o RNA desenvolvidas no próprio país. O objetivo é ampliar o domínio nacional da tecnologia e criar condições para que o Brasil desenvolva e transfira novas soluções para outras doenças.
Fonte: g1.globo.com







