MP denuncia esquema de propina que paralisava investigações Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil de SP

Conversas de WhatsApp revelam que doleiros chamavam órgão policial de “banco” onde “só se deposita, nunca se saca”; grupo teria oferecido mais de R$ 5 milhões para arquivar apurações no 16º DP

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra 23 pessoas envolvidas em um esquema de corrupção de policiais civis, com base em mensagens de WhatsApp que escancaram a relação criminosa entre doleiros e agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de SP.

A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), originou a Operação Bazaar no dia 5 de março, que resultou na prisão de nove pessoas. A partir da apreensão de celulares dos alvos, os promotores tiveram acesso a mensagens que detalham o fluxo de pagamento de propinas, tratadas internamente como “despesas do Deic”. Os valores eram repartidos por meio de empresas de fachada e dinheiro vivo.

Em um dos casos citados na denúncia, policiais teriam solicitado R$ 5 milhões para interromper investigações no 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo.

De acordo com o MPSP, os registros de pagamento de propinas começaram em agosto de 2020, evidenciando “o amplo espectro temporal com que atuaram de modo a frustrar as investigações que pudessem levar às suas responsabilizações, sempre contando com o necessário concurso de policiais civis corruptos”.

O Ministério Público pede a condenação dos denunciados por associação criminosa, corrupção ativa e passiva, e fraude processual. Para os policiais civis, os promotores também defendem a perda do cargo público.

No dia 15 de junho, Cleber Azevedo dos Santos, apontado como um dos articuladores do esquema de corrupção, enviou a Raphael Flores Rodriguez, conhecido como “Batata”, uma foto do interior do Deic, comentando que estava resolvendo duas pendências em um único dia.

A resposta de Raphael foi a frase que dá tom à investigação: “É a fachada do banco aí. Isso aí não é delegacia, é banco. Só que só deposita, nunca saca”.

Raphael Flores Rodriguez foi preso pela Polícia Federal no fim de março, durante a segunda fase da Operação Narco Azimut, suspeito de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em 2020, ele já havia sido condenado na Operação Lava Jato por enviar dinheiro ao exterior em benefício do doleiro Alberto Youssef.

Segundo as apurações, Cleber Azevedo dos Santos comandava, ao lado de Leonardo Meirelles e Paulo Rogério Silva (“Paulo Barão”), um núcleo de doleiros especializado em remessas ilegais ao exterior, usando empresas de fachada e faturas falsas. O trio movimentou mais de R$ 57 milhões em apenas quatro meses para um dos maiores clientes do grupo, o chinês Zhou Wei Feng, conhecido como “Mario”.

Em 2021, Cleber foi alvo de uma investigação do próprio Deic por um golpe de R$ 8,2 milhões contra o advogado Celso Botelho Marques. O valor, referente a precatórios do Estado de São Paulo, foi depositado em uma conta ligada a empresas de Cleber.

Percebendo que estava na mira da polícia, Cleber contratou um advogado e alegou ser vítima de estelionato. Como os policiais não acreditaram na versão, ele ofereceu R$ 300 mil para evitar o indiciamento de membros do grupo.

No dia 8 de abril de 2022, a contabilidade do grupo criminoso registrou a saída de R$ 150 mil em espécie “destinado ao Deic”. Dias depois, Cleber pediu mais dinheiro a parceiros para completar o pagamento.

Após o pagamento, os investigadores cumpriram o combinado e lavraram um relatório que omitira a autoria delitiva de Robson e dos demais membros do grupo. Em mensagens interceptadas, Marlon e Robson ironizaram o resultado, afirmando que o relatório ‘aliviou total’ e listava ‘só inocente’”, descrevem os promotores.

Entre os policiais presos na Operação Bazaar e denunciados por corrupção passiva e fraude processual majorada estão:

  • João Eduardo da Silva, delegado da Delegacia do Jabaquara;
  • Ciro Borges Magalhães Ferraz, escrivão da mesma unidade;
  • Roldnei Eduardo dos Reis Baptista, investigador da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção do DPPC;
  • Rogério Coichev Teixeira, investigador do Serviço Aerotático.

A denúncia do Gaeco aguarda agora decisão da Justiça sobre o recebimento e a abertura de ação penal contra os 23 acusados.

Fonte: Metropoles e Folha de S. Paulo

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