Unidade na Coapar deve ampliar captação de matéria-prima, gerar empregos e receber suporte do Pronaf Mais Leite; governo anuncia 300 mil embriões e nova linha de crédito para o setor
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deu início, na última semana de abril, às obras da sua primeira indústria de leite em pó do estado de São Paulo. O empreendimento será instalado no complexo da Cooperativa de Produção Agropecuária dos Assentados e Pequenos Produtores da região Noroeste Paulista (Coapar), que congrega mais de mil famílias assentadas, e tem como metas ampliar a captação de matéria-prima, escalar a produção e gerar empregos diretos e indiretos na região.
A cooperativa já possui tradição na produção de derivados lácteos, incluindo manteiga, queijo coalho, queijo frescal e iogurte, e a nova fábrica representa um passo estratégico na agregação de valor e na consolidação da cadeia produtiva local.
Presente ao evento, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, reforçou o papel da reforma agrária e da agricultura familiar no abastecimento nacional.
“O leite é, portanto, uma cadeia constituída majoritariamente nas pequenas propriedades, nos assentamentos da reforma agrária e nos lares da agricultura familiar. São esses os estabelecimentos rurais que garantem essa produção de leite que chega e se transforma, como vimos aqui na Coapar, na manteiga saborosa, no queijo coalho, no queijo frescal e no iogurte”, destacou a ministra.
Para sustentar o crescimento da produção, Machiaveli detalhou as ações do Pronaf Mais Leite, programa que combina tecnologia e assistência técnica para elevar a produtividade dos rebanhos por meio do melhoramento genético.
A iniciativa prevê a transferência de embriões para que a produção por vaca, que atualmente varia entre três e oito litros diários, possa alcançar patamares de 20 a 30 litros. “Conseguimos democratizar o acesso ao melhoramento genético. O objetivo é que a mesma quantidade de alimento gere mais renda para as famílias”, explicou. A ministra ainda enfatizou que a política pública busca fortalecer a organização produtiva no campo, defendendo uma “reforma agrária produtiva”.
Durante a solenidade, o governo federal anunciou medidas concretas para consolidar o setor: a implantação de 300 mil embriões ao longo de dois anos em rebanhos da agricultura familiar e a criação de uma nova linha de crédito voltada especificamente para cooperativas lácteas.
As ações buscam ampliar a escala de produção, melhorar a competitividade dos pequenos produtores e garantir que o aumento da oferta de leite se traduza em renda e segurança alimentar.
Com a nova fábrica, a Coapar se consolida como um polo de inovação e agregação de valor no interior paulista, alinhando a tradição cooperativista a políticas públicas de fomento à agricultura familiar. O projeto reforça a aposta de movimentos sociais e do governo federal na industrialização no campo como caminho para reduzir desigualdades regionais e fortalecer a soberania alimentar do país.
Fonte: Brasil de Fato







